sexta-feira, 5 de abril de 2013

Sexualidade em sala de aula: discurso, desejo e teoria queer



Ainda que o tema das sexualidades seja cada vez mais debatido fora da escola, tal questão ainda é, em geral, um tabu em sala de aula, pelo menos nos discursos legitimados  pelos professores,. Estes frequentemente colocam a sexualidade no reino da vida privada, anulando suas percepções e consequências  sociopolíticas e culturais ao compreende-la como uma problemática individual. Em tais discursos, os corpos na escola não tem desejo, não se vinculam a prazeres eróticos e, na verdade, não existem como forcas constitutivas de quem somos nas praticas sociais. Em um artigo ousado e pioneiro sobre erotismo e a pratica pedagógica, Bell Hooks (1994) nos alerta para como fomos treinados a ignorar o corpo e seus prazeres na educação.
Uma visão queer das sexualidades
Uma das teorizações que  parecem mais iluminadoras pelo seu caráter  problematizador e questionador de qualquer sentido de verdade e normatividade em relação a sexualidade, e que tentam explicar os atravessamentos de fronteiras discursivo-culturais da sexualidade, tem sido chamadas de teorias queer. Essas teorias foram muito inflenciadas pela pesquisa de Butler(1990) e Sedgwick (1994). E os trabalhos de Jagose (1996), Louro (2003) e Sullivan (2003) oferecem boas introduções a essas perspectivas. Embora queer seja uma língua inglesa, o seu uso tem sido preferido em português devido a ausência de um equivalente nessa língua que capte seu sentido. Alem de ser uma palavra que significa estranho, inesperado e não natural, queer também e uma forma antiga de se referir a homossexuais de forma ofensiva. Assim, o termo foi re-apropriado nessa teorizações de modo a re-significa-lo, virando o insulto de ponta cabeça por assim dizer, ao mesmo tempo em que recupera o significado contestatório que o termo carrega.
Potenciais da teorização queer  para a educação
Ao problematizar visões normalizadoras da sexualidade, a teorização queer pode iluminar nosso trabalho em educação ao oferecer uma alternativa de compreensão dos desafios desestabilizadores das praticas sociais que vivemos, dos discursos sobre sexualidade que os alunos fazem circular em sala de aula, dos discursos dos professores que não legitimam tópicos sobre sexualidade ou operam como controladores de atravessamentos de fronteiras e das políticas de identidade. Ao constituir uma possibilidade de compreender as sexualidades que estar alem das políticas da diferença, que preconizam a tolerância, e deixam implícita a norma, ajuda a diminuir a ignorância, existente entre aluno e professores tanto sobre homossexualidade como sobre a heterossexualidade, de que fala Britzman (1995) na epigrafe que emoldura este capitulo.


Edna Almeida Silva
RA: 6820474340

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